Após a
censura de sua peça “Calabar”, a situação de Chico Buarque tornara-se insustentável,
devido ao seu histórico que Chico adquirira de já ter canções vetadas, pois
compositores que já tivessem canções vetadas entravam numa espécie de lista
onde canções eram censuradas apenas por terem sido assinadas pelo compositor “visado”.
No caso de Chico, duas canções eram vetadas na proporção que uma era liberada.
Chico então enfrentava um grande problema: Não teria canções suficientes para
um próximo álbum.
A
solução então foi criar o LP “Sinal fechado” (1974) em que Chico Interpreta
outros compositores. E entre os autores que cederam material par seu novo
álbum, havia curiosidade um desconhecido, chamado Julinho da Adelaide, que
cedera 3 canções para Chico Buarque, e uma delas “Acorda Amor” tornara-se o
grande sucesso do álbum.
A Letra,
que narra um episódio semelhante a rápida prisão que Chico sofrera em 1968,
sendo detido para interrogatórios no D.O.P.S, foi liberada pelos agentes da
censura nem nenhum questionamento. O que a Ditadura não poderia esperar era que
“Julinho da Adelaide” fora um pseudônimo escolhido por Chico para que suas
letras pudessem ser facilmente liberadas. Julinho da Adelaide e Leonel Paiva contribuíram
ainda para mais duas canções do álbum: Jorge
Maravilha e Milagre Brasileiro.
Dentro
do episódio, Chico contou ainda com a ajuda do Jornalista Mário Prata (Jornal Última
Hora) que teria conseguido uma exclusiva entrevista com o compositor do momento
“Julinho da Adelaide”, que de acordo com o noticiado, era morador da Rocinha.
Julinho da Adelaide declarou em tal “entrevista” que admirava o da Censura e o ciúmes que sentia de Chico Buarque, embora os
dois tivessem estilos semelhantes de compor...
Entretanto, em 1975, uma matéria, sobre a
censura no Brasil, publicada no Jornal do
Brasil, desmascarou Chico Buarque, revelando que ele e Julinho da Adelaide
seriam as mesmas pessoas. Foi então que
após tal descoberta, a Polícia Federal passou a exigir cópias de CPF e RG de
autores para evitar novos eventos como este.
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| Entrevista concedida por "Julinho da Adelaide" |
Fonte : Livro "Chico Buarque" Wagner Homem.


Muito legal esse texto. Esse período apesar de ter sido negro (censura), nos trouxe talentos ímpares como o Chico, um dos maiores do século XX até os tempos atuais.
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