domingo, 4 de agosto de 2013

O Bêbado e a equilibrista: História que vai além da história

No período militar seria pecado para os esquerdistas que pessoas fossem simpatizantes de direita quanto era para os militares que jovens fossem subversivo, e tal preconceito sofreu Elis Regina em meados de 70 devido ao fato de ter aceitado o convite para cantar nas olímpiadas do exército. Isto deixou sua imagem um tanto que abalada pelos intelectuais de esquerda, um deles o cartunista Henfil, que em seu famoso pasquim, enterrou simbolicamente Elis duas vezes. Criar charges em que celebridades era enterradas fora uma forma um tanto humorada de Henfil mostrar a pessoa, e a sociedade o quanto esta seria prejudicial a pátria naquele momento tão delicado, e uma das vítimas da brincadeira fora Elis.
Embora os esquerdistas achassem tal atitude de Henfil humorada, Elis ficara muito decepcionada com tal evento, já que tinha consciência dos motivos em aceitar o convite de cantar nas olímpiadas do exército não teria sido praticamente um convite, mas sim uma ordem, a história iniciara após uma entrevista que Elis dera a imprensa internacional onde deixou de forma espontânea escapar a crítica de que o Brasil seria governado por Gorilas, fato que a levou imediatamente a prestar depoimento nas dependências do D.O.P.S. Além de ser ameaçada de prisão, Elis foi avisada que deveria tomar mais cuidado, visto que ela era responsável por seu bebê (João Marcelo Bôscoli na época único filho da cantora). Elis amedrontada pela ameaça, aceitou o convite de cantar nas olímpiadas do exército e ainda teve a imagem prejudicada pelas críticas esquerdistas de seu ato.
Betinho e Henfil
Após ser enterrada “simbolicamente” no Pasquim, acabou encontrando o cartunista num evento e despejou a este toda sua mágoa, explicando aos prantos a Henfil todos motivos que a obrigaram a cantar nas olímpiadas do exército, além de expor suas mágoas, Elis também ouviu o ponto de vista do cartunista que tinha os motivos para atacar quem achava os defensores do regime, já que seu irmão, Hebert José de Souza, o Betinho, era perseguido pela ditadura militar e estava exiliado no Chile, desde 1971. O desabafo de ambos acabou trazendo uma intimidade a eles, que acabarem, independente de questões políticas, tornando-se amigos.
Um dia Elis ligou para Henfil, e pediu que ele imediatamente viesse a sua casa, que ela tinha algo para mostrar, e assim o fez, chegando na residência de Elis e Cesar Camargo Mariano, com quem a cantora era casada na época, e assim Henfil fora o primeiro a ouvir a música “O Bêbado e a Equilibrista” , Henfil chegou a dizer  que ao ouvir a música se desmontou em prantos na frente da cantora e de seu marido , que aguardavam ansiosos pela opinião do cartunista , foi um pranto cheio de esperança: “ A anistia aconteceria” , seu irmão voltaria a sua Terra tão querida, Brasil.  Já que a música,  escrita por João Bosco e Aldir Blanc, a pedido de Elis, além de homenagear  “Betinho” mostrava a tristeza de brasileiros que fugiram do Brasil perseguidos pela ditadura : Meu  Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu, num rabo de foguete.
O caso  “ Vladimir Herzog” que tanto tinha chocado a pátria, também aparece na letra , através do primeiroChora, a nossa pátria mãe gentil, choram Marias e Clarices, no solo do Brasil.
Vladimir Herzog
nome de sua viúva “Clarice Herzog” , Bosco e Blanc, para mostrar que aquela mulher não era a única que sofria pela perda de um ente querido causada pelos militares, decidi incluir na letra a simbologia do nome “Maria”, que simbolizaria outras mulheres que sofriam do mesmo Mal que Clarice Herzog:
A ideia inicial da letra, baseou-se em homenagear o grande ator e cineasta “Charlie Chaplin” que havia falecido, e para isto foi usada a figura de seu personagem principal “Carlitos” : Caia a tarde feito viaduto, e um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos...” a tristeza da morte de Chaplin, unia-se com a tristeza passada por anos do período militar e suas atrocidades, e o real questionamento se toda aquela luta valeria a pena, mas trazendo ainda uma mensagem de esperança de que um dia a pátria seria livre, que tanto motivou à aqueles que a ouviram, e que  elegeram “Bêbado e a equilibrista” como real hino da Anistia.”

“Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de der inutilmente, A esperança dança, na corda bamba de sombrinha, que em cada em passo desta linha pode se machucar... Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista, tem que continuar...”


                                             

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