terça-feira, 12 de novembro de 2019

“Here Comes the Sun” – Tudo começa com o nascer do sol.


John, Paul, Ringo e George, os nomes dos quatro rapazes de Liverpool, ficarão eternamente gravados no mundo da música, como os quatro pilares sustentavam e representavam a toda uma geração. Por mais que cada um dos integrantes dos “The Beatles” tivessem uma relativa importância na banda, havia , no meio de sua história, um quinto elemento, que esporadicamente participava de gravações e em algumas produções da banda, o cantor, guitarrista e compositor Eric Clapton.
                Clapton foi levado a socialização com a banda através de seu grande amigo, George Harrison, chegando a fazer a guitarras na canção: ““While My Guitar Gently Weeps”. Lançada oficialmente no “White album’, em 1968. A amizade entre os guitarristas era tão grande, que Eric, sabendo da crise existente no casamento de George e Pattie Boyd , não hesitou em assumir para George que estava apaixonado pela esposa do amigo, devido a afinidade que adquirira durante as visitas de Eric a George e esposa. Tal fato seria o estopim para a finalização de qualquer amizade, mas George, além de compreender a paixão que o amigo tinha por Pattie,  facilitou o próprio processo de divórcio para que não houvesse empecilho algum na união do novo casal: “Se for para a Pattie ter um novo marido, que seja um cara legal como você Eric”. Disse o ex. Beatle assim que ouviu a confissão do “crime” do amigo.
                Mas não só de flores viveu esta amizade entre George e Eric, Eric também foi colocado em meio a uma discussão existente entre George e parceiros dos Beatles, conforme foi apresentado no documentário "George Harrison: Living in the Material World", O integrante mais jovem dos Beatles teria se estressado, numa ocasião, com os colegas da banda, durante a gravação da canção “Hey Jude”, devido a algumas contestações do compositor Paul Mccartney referente a seu solo e saindo apressadamente do estúdio Abbey Road, o que gerou a piada do cantor John Lennon “Chama o Eric Clapton para tocar no lugar dele!” Deixando o guitarrista ainda mais revoltado.  Claro que este mal estar, não durou muito, visto que, de acordo com o próprio George, a amizade entre ele e Lennon era grande demais para ser abalada por uma brincadeira (De acordo com o documentário, George chegou a participar de álbuns solos de John Lennon e foi convencido por ele a fazer o seu próprio solo).
                Bem, acho que é melhor irmos direto ao assunto, por que temos que citar tanto o Eric Clapton neste artigo? Seria o fato de Eric participar ativamente de uma das melhores composições de George Harrison gravada pelos Beatles: Here comes the sun. De acordo com Clapton, Harrison visitava a sua mansão, e juntos estavam papeando e bebendo, ao ar livre, quando viu George viu o nascer do sol e do nada começou a cantarolar “Here comes the Sun...”, repetiu o início mais algumas vezes quando percebeu que aquilo poderia virar uma canção, pediu prontamente o violão para o amigo e começou a pensar no restante da letra, inserindo primeiramente “little darling” nos versos iniciais. De acordo com Clapton, em 10 minutos, a canção já estava pronta, comprovando assim o talento em compor do guitarrista. A canção foi lançada no álbum “Abbey Road”; no ano de 1969.
                A canção teve uma gravação simples e acústica, contando com o violão e voz de George, Baixo e voz de Paul Mccartney, bateria e voz de Ringo e palmas batidas pelos três integrantes. Infelizmente, o líder, John Lennon, não pode participar da canção, já que estava se recuperando de um acidente de carro que havia recentemente sofrido. Uma gravação simples, que coroa um momento tão trivial, entretanto especial, de cada dia, nomeado: Nascer do sol, mas que se tornou grandiosa no repertório da maior banda inglesa existente até hoje.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Julinho da Adelaide ou Chico Buarque : História da canção "Acorda Amor"



Após a censura de sua peça “Calabar”, a situação de Chico Buarque tornara-se insustentável, devido ao seu histórico que Chico adquirira de já ter canções vetadas, pois compositores que já tivessem canções vetadas entravam numa espécie de lista onde canções eram censuradas apenas por terem sido assinadas pelo compositor “visado”. No caso de Chico, duas canções eram vetadas na proporção que uma era liberada. Chico então enfrentava um grande problema: Não teria canções suficientes para um próximo álbum.
A solução então foi criar o LP “Sinal fechado” (1974) em que Chico Interpreta outros compositores. E entre os autores que cederam material par seu novo álbum, havia curiosidade um desconhecido, chamado Julinho da Adelaide, que cedera 3 canções para Chico Buarque, e uma delas “Acorda Amor” tornara-se o grande sucesso do álbum.
A Letra, que narra um episódio semelhante a rápida prisão que Chico sofrera em 1968, sendo detido para interrogatórios no D.O.P.S, foi liberada pelos agentes da censura nem nenhum questionamento. O que a Ditadura não poderia esperar era que “Julinho da Adelaide” fora um pseudônimo escolhido por Chico para que suas letras pudessem ser facilmente liberadas. Julinho da Adelaide e Leonel Paiva contribuíram ainda para mais duas canções do álbum: Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro.
Dentro do episódio, Chico contou ainda com a ajuda do Jornalista Mário Prata (Jornal Última Hora) que teria conseguido uma exclusiva entrevista com o compositor do momento “Julinho da Adelaide”, que de acordo com o noticiado, era morador da Rocinha. Julinho da Adelaide declarou em tal “entrevista” que admirava o da Censura e o ciúmes que sentia de Chico Buarque, embora os dois tivessem estilos semelhantes de compor...
 Entretanto, em 1975, uma matéria, sobre a censura no Brasil, publicada no Jornal do Brasil, desmascarou Chico Buarque, revelando que ele e Julinho da Adelaide seriam as mesmas pessoas.  Foi então que após tal descoberta, a Polícia Federal passou a exigir cópias de CPF e RG de autores para evitar novos eventos como este. 

Entrevista concedida por "Julinho da Adelaide"

 Fonte : Livro "Chico Buarque" Wagner Homem.
          

domingo, 4 de agosto de 2013

O Bêbado e a equilibrista: História que vai além da história

No período militar seria pecado para os esquerdistas que pessoas fossem simpatizantes de direita quanto era para os militares que jovens fossem subversivo, e tal preconceito sofreu Elis Regina em meados de 70 devido ao fato de ter aceitado o convite para cantar nas olímpiadas do exército. Isto deixou sua imagem um tanto que abalada pelos intelectuais de esquerda, um deles o cartunista Henfil, que em seu famoso pasquim, enterrou simbolicamente Elis duas vezes. Criar charges em que celebridades era enterradas fora uma forma um tanto humorada de Henfil mostrar a pessoa, e a sociedade o quanto esta seria prejudicial a pátria naquele momento tão delicado, e uma das vítimas da brincadeira fora Elis.
Embora os esquerdistas achassem tal atitude de Henfil humorada, Elis ficara muito decepcionada com tal evento, já que tinha consciência dos motivos em aceitar o convite de cantar nas olímpiadas do exército não teria sido praticamente um convite, mas sim uma ordem, a história iniciara após uma entrevista que Elis dera a imprensa internacional onde deixou de forma espontânea escapar a crítica de que o Brasil seria governado por Gorilas, fato que a levou imediatamente a prestar depoimento nas dependências do D.O.P.S. Além de ser ameaçada de prisão, Elis foi avisada que deveria tomar mais cuidado, visto que ela era responsável por seu bebê (João Marcelo Bôscoli na época único filho da cantora). Elis amedrontada pela ameaça, aceitou o convite de cantar nas olímpiadas do exército e ainda teve a imagem prejudicada pelas críticas esquerdistas de seu ato.
Betinho e Henfil
Após ser enterrada “simbolicamente” no Pasquim, acabou encontrando o cartunista num evento e despejou a este toda sua mágoa, explicando aos prantos a Henfil todos motivos que a obrigaram a cantar nas olímpiadas do exército, além de expor suas mágoas, Elis também ouviu o ponto de vista do cartunista que tinha os motivos para atacar quem achava os defensores do regime, já que seu irmão, Hebert José de Souza, o Betinho, era perseguido pela ditadura militar e estava exiliado no Chile, desde 1971. O desabafo de ambos acabou trazendo uma intimidade a eles, que acabarem, independente de questões políticas, tornando-se amigos.
Um dia Elis ligou para Henfil, e pediu que ele imediatamente viesse a sua casa, que ela tinha algo para mostrar, e assim o fez, chegando na residência de Elis e Cesar Camargo Mariano, com quem a cantora era casada na época, e assim Henfil fora o primeiro a ouvir a música “O Bêbado e a Equilibrista” , Henfil chegou a dizer  que ao ouvir a música se desmontou em prantos na frente da cantora e de seu marido , que aguardavam ansiosos pela opinião do cartunista , foi um pranto cheio de esperança: “ A anistia aconteceria” , seu irmão voltaria a sua Terra tão querida, Brasil.  Já que a música,  escrita por João Bosco e Aldir Blanc, a pedido de Elis, além de homenagear  “Betinho” mostrava a tristeza de brasileiros que fugiram do Brasil perseguidos pela ditadura : Meu  Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu, num rabo de foguete.
O caso  “ Vladimir Herzog” que tanto tinha chocado a pátria, também aparece na letra , através do primeiroChora, a nossa pátria mãe gentil, choram Marias e Clarices, no solo do Brasil.
Vladimir Herzog
nome de sua viúva “Clarice Herzog” , Bosco e Blanc, para mostrar que aquela mulher não era a única que sofria pela perda de um ente querido causada pelos militares, decidi incluir na letra a simbologia do nome “Maria”, que simbolizaria outras mulheres que sofriam do mesmo Mal que Clarice Herzog:
A ideia inicial da letra, baseou-se em homenagear o grande ator e cineasta “Charlie Chaplin” que havia falecido, e para isto foi usada a figura de seu personagem principal “Carlitos” : Caia a tarde feito viaduto, e um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos...” a tristeza da morte de Chaplin, unia-se com a tristeza passada por anos do período militar e suas atrocidades, e o real questionamento se toda aquela luta valeria a pena, mas trazendo ainda uma mensagem de esperança de que um dia a pátria seria livre, que tanto motivou à aqueles que a ouviram, e que  elegeram “Bêbado e a equilibrista” como real hino da Anistia.”

“Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de der inutilmente, A esperança dança, na corda bamba de sombrinha, que em cada em passo desta linha pode se machucar... Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista, tem que continuar...”


                                             

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Com a Perna no Mundo (Gonzaguinha)


Luiz Gonzaga do Nascimento Junior teve um relacionamento muito conturbado com seu pai, mais conhecido como Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Grande parte dos problemas enfrentados por pai e filho começou logo em seu nascimento, devido a dúvida que Luiz Gonzaga tinha referente a real paternidade de “Luizinho”, porém disposto a manter um casamento que era feliz, com sua primeira amada Odáleia, mãe de Gonzaguinha, decidiu então esquecer tal assunto e criar a criança como real representante dos Gonzagas. Entretanto uma tuberculose levou Odáleia ainda na infância do menino, deixando Luiz Gonzaga desnorteado por tal perda e ainda tendo que cumprir a agenda de shows que começava a crescer mais e mais. Sem rumo, Gonzaga optou por deixar Gonzaguinha ser criado por seus amigos, Dina e Xavier, que sem filhos, aceitaram cuidar do menino recebendo sempre um suporte financeiro de Gonzaga, tendo o como real membro daquela família.

Assim Gonzaguinha cresceu, no Morro de São Carlos, ao lado de Dina e Xavier, a quem realmente considerava pais, entretanto a mágoa de ter sido abandonado percorria sua vida, principalmente após o segundo casamento do pai, que ligava-se Helena, sua assistente , que pouco aceitara a presença em casa, do menino que havia sido convidado a morar com o pai, o  fato de não poder engravidar fazia com que a estádia do garoto a incomodasse ainda mais,  não demorou muito para que Gonzaga caísse na estrada novamente e para que Helena aproveitasse tal ausência para mandar o garoto de volta a casa dos padrinhos.
Gonzaguinha então voltou a morar no morro, com ainda mais mágoa do pai, que aumentou ainda mais, quando este o internara num colégio interno, devido a problemas que o menino passara a ter com drogas, a estadia de Gonzaguinha no colégio Interno durou até o momento em que este adoecera no internato, sofrendo da mesma doença que matara sua mãe: Tuberculose. Gonzaga retirou o garoto do internato porém manteve o morando com Xavier e Dina, porém agora com o convite de morar com o pai assim que se recuperasse.

Foi então que aos 16 anos Gonzaguinha decidiu aceitar o convite de morar com o pai, e estudar Economia, já que era um sonho de Gonzaga um filho graduado, ele queria não apenas estudar, mas também ser mais íntimo do pai, conhecer quem realmente seria o “Rei do Baião”. Esta época foi fundamental para a formação de Gonzaguinha, já que a escolha de ser mais amigo do pai tirava o do lado de seus pais adotivos e de seu passado, conforme descrito na letra de “Com Perna No Mundo” Onde descreve o primeiro período de sua vida, no Morro de São Carlos, ao lado de Dina e Xavier, e decide homenagear a mãe adotiva.

“Acreditava na vida
Na alegria de ser
Nas coisas do coração
Nas mãos um muito fazer

Sentava bem lá no alto
Pivete olhando a cidade
Sentindo o cheiro do asfalto
Desceu por necessidade

O Dina
Teu menino desceu o São Carlos
Pegou um sonho e partiu
Pensava que era um guerreiro
Com terras e gente a conquistar
Havia um fogo em seus olhos
Um fogo de não se apagar

Diz lá pra Dina que eu volto
Que seu guri não fugiu
Só quis saber como é
Qual é
Perna no mundo sumiu

E hoje
Depois de tantas batalhas
A lama dos sapatos
É a medalha
Que ele tem pra mostrar

Passado
É um pé no chão e um sabiá
Presente
É a porta aberta
E futuro é o que virá, mas, e daí?

ô ô ô e á
O moleque acabou de chegar
ô ô ô e á
Nessa cama é que eu quero sonhar
ô ô ô e á
Amanhã bato a perna no mundo
ô ô ô e á
É que o mundo é que é meu lugar”

 Esteve na casa do pai até os primeiros anos de faculdade, onde conheceu intelectuais que apontaram grandes injustiças sociais e onde pode entender o poder não democrático exercido pelos militares, com quem se rebelou. Gonzaguinha então decidi usar seu dom, a música aprendida tanto com Xavier, que também era músico, quanto pelo seu pai, para denunciar os desmandos com a ditadura. Fato que não agradou ao pai, que também fora ex militar e um tanto simpatizante com o regime que atuava. Não demorou muito para que pai e filho discutissem por tais ideologias e Gonzaguinha rompesse realmente com o pai. Nesta época, Gonzaguinha continuou os estudos, trabalhando para o próprio sustento e edificou-se como compositor.

Foi durante o começo do sucesso de Gonzaguinha, que este decidira procurar o pai, e ambos conversaram e expuseram todas as mágoas sentidas, e veio enfim a conciliação, O que modificou radicalmente a obra do poeta, que nesta época Gonzaguinha não queria falar não apenas de amor, não apenas de injustiças, mas sentiu-se livre-se para desabafar histórias de sua vida, e se desmascarar, assim nasceu o álbum “Gonzaguinha da Vida”. Neste mesmo, 1981, gravou um dueto com o pai, de um grande sucesso do Gonzaga, “vida de viajante”, nascendo posteriormente uma história turnê de pai e filho: Vida de viajante. Sem mágoas esteve livre para divulgar a canção Com Pernas no Mundo e contar ao público um pouco de sua vida. 


Luis Gonzaga faleceu em 1989, e Gonzaguinha viveu ainda um ano a mais para iniciar a construção do Museu que manteria viva as lembranças de seu pai em Exu, cidade natal de Gonzaga, morrendo num desastre automobilístico em 1990.